OPINIÃO: Visita de vereadores ao hospital — Fiscalização legítima ou manobra política?
Por Agência RMBH
Na política, o timing raramente é fruto do acaso. No exato momento em que a Câmara Municipal de Sete Lagoas se prepara para votar a recomposição salarial dos servidores (PLO 45/2026), surge a notícia de que o Executivo planeja levar toda a sua base aliada para uma "visita técnica" ao hospital municipal. O movimento levanta um questionamento inevitável: qual o verdadeiro objetivo desta comitiva?
A fiscalização de unidades de saúde é, por natureza, um dever do parlamentar. No entanto, quando essa visita é organizada "em bloco" pelo próprio prefeito e direcionada apenas à base governista, o caráter fiscalizador dá lugar ao espetáculo político.
O risco da "visita guiada"
Um hospital é um ambiente de dor, cuidado e sigilo. A entrada de um grupo numeroso de políticos em meio ao funcionamento da unidade pode causar:
Tumulto no fluxo de atendimento: Profissionais que deveriam estar focados nos pacientes acabam deslocados para "recepcionar" autoridades.
Quebra de privacidade: O ambiente hospitalar não é palco para fotos ou vídeos de campanha.
Uso político da máquina: Utilizar a estrutura de saúde para demonstrar força política ou "blindar" o prefeito antes de votações polêmicas é um desvio de finalidade.
Blindagem ou Transparência?
Se o objetivo fosse transparência, o convite seria estendido a todos os 19 vereadores, incluindo a oposição, e não apenas aos aliados. Além disso, as regras internas de qualquer unidade de saúde são claras: autoridade não tem passe livre para acessar prontuários ou entrar fora de horários estabelecidos sem uma motivação técnica específica e agendada.
Levar a base aliada para o hospital na véspera ou no dia de votações cruciais cheira a uma tentativa de "cortina de fumaça" ou, pior, a uma demonstração de controle sobre o Legislativo dentro de um território que deveria ser exclusivamente técnico e humano.
Sete Lagoas precisa de hospitais que funcionem e de uma Câmara que vote com independência. O hospital é lugar de médico e paciente; a política deve ser decidida no plenário, com transparência e sem encenações.
RMBH: A análise que você não vê em outro lugar.