O Dilema dos Hospitais Regionais: Por que a Federalização de Divinópolis é Estratégica frente ao Modelo de Sete Lagoas
MINAS GERAIS – Com a proximidade da inauguração dos Hospitais Regionais de Divinópolis e de Sete Lagoas, um debate sobre inteligência administrativa ganha força nos bastidores do poder. Embora ambas as cidades estejam prestes a entregar complexos de saúde de grande porte, a estratégia de gestão escolhida pode determinar o sucesso financeiro das prefeituras nos próximos anos. O Portal LA News trouxe a informação da possibilidade levada ao prefeito que teria dito não a possível Federalização do Regional em Sete Lagoas.
Em Divinópolis, a proposta de federalização surge como um diferencial competitivo. Ao transferir a gestão para a Universidade Federal (UNIFAL-MG) e para a EBSERH, a cidade busca se livrar de um peso que Sete Lagoas, sob o modelo tradicional, poderá ter que carregar.
O Modelo de Divinópolis: Custo Zero para o Município
A lógica defendida por lideranças políticas é que a federalização não é apenas uma mudança de nome, mas de "bolso".
Sustentabilidade Perene: Ao transformar a unidade em Hospital Universitário, os custos de manutenção, salários de médicos concursados e insumos passam a ser responsabilidade direta do Ministério da Educação (MEC).
Fim da Polarização: O projeto une o prefeito (Novo) e o senador Cleitinho (Republicanos), provando que a eficiência na gestão da saúde pública deve superar as barreiras ideológicas.
Preservação de Recursos: A federalização retira o encargo do SUS municipal sem que Divinópolis perca os repasses federais já existentes para outras áreas da saúde.
O Contraste com Sete Lagoas
A situação de Sete Lagoas serve como o contraponto ideal para essa tese. Com um Hospital Regional de porte similar prestes a abrir as portas, a cidade corre o risco de cair na armadilha dos modelos de Organizações Sociais (OS) ou consórcios.
Diferente de Divinópolis, que busca o "guarda-chuva" da União, modelos de OS ou consórcios forçam a prefeitura e o governo estadual a manterem repasses mensais altíssimos. Para um estado que enfrenta graves crises financeiras, depender de repasses estaduais para manter um hospital regional é um risco operacional. A federalização, portanto, é apresentada como uma "solução inteligente" que Sete Lagoas ainda não adotou, o que pode sobrecarregar o orçamento sete-lagoano enquanto Divinópolis garante uma gestão federal gratuita para os cofres locais.
Inteligência Administrativa vs. Gestão Convencional
O argumento é claro: alternativas como OS exigem que o ente público continue pagando a conta. Já a federalização via Universidade/EBSERH permite que o governo federal assuma 100% da operação.
"É uma questão de visão. Enquanto cidades vizinhas podem ficar reféns de repasses estaduais incertos para manter seus novos hospitais, Divinópolis caminha para garantir assistência, pesquisa e ensino com recursos diretos de Brasília", afirma a proposta.
Com as inaugurações no horizonte, o futuro da saúde regional será um teste real de qual modelo é mais sustentável: a dependência dos cofres municipais/estaduais ou a integração direta com a rede federal de ensino e saúde.
O Sentimento das Ruas: Vozes da População
Para dar mais profundidade à reportagem, ouvimos cidadãos que dependem diretamente do SUS nas duas cidades. As opiniões refletem o cansaço com a demora e o medo de que os novos prédios se tornem "elefantes brancos".
1. O Alívio com a Gestão Federal (Divinópolis)
Muitos moradores veem na EBSERH uma garantia de que o hospital não vai parar de funcionar por falta de verba municipal.
"A gente vê tanto hospital que abre e depois fecha ala por falta de pagamento que, se o Governo Federal assumir, dá um alívio. Se virar hospital universitário, a gente sabe que vai ter médico novo querendo aprender e professor de olho, o atendimento tende a ser mais humano." — Maria das Graças, dona de casa.
2. O Ceticismo em Sete Lagoas
Em Sete Lagoas, o clima é de cobrança. A população questiona por que a cidade, tendo um hospital do mesmo porte, ainda não garantiu o mesmo "porto seguro" financeiro que Divinópolis busca.
"O hospital regional daqui é um sonho de décadas. Mas a pergunta que a gente faz é: a prefeitura vai dar conta de pagar os médicos? Se Divinópolis conseguiu essa conversa com o Governo Federal, por que Sete Lagoas vai ficar dependendo de OS ou de estado quebrado?" — Ricardo Mendes, comerciante.
3. A Visão sobre a "Solução Inteligente"
A ideia de que a saúde não deve ter cor política ressoa forte entre os eleitores mais jovens.
"Não me importa se o prefeito é do Novo e o senador é do Republicanos. Se eles sentaram na mesa e decidiram que a federalização é o melhor caminho para o hospital não parar por falta de dinheiro, isso é inteligência. O que a gente quer é a tomografia funcionando e o leito disponível quando precisar." — Lucas Ferreira, estudante universitário.
A voz do POVO RM7