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Servidora da secretaria de Assistência Social de Sete Lagoas denuncia calote salarial e vive situação de vulnerabilidade mesmo trabalhando
Por Administrador
Publicado em 01/03/2026 15:03
Política

Servidora da secretaria de Assistência Social de Sete Lagoas denuncia calote salarial e vive situação de vulnerabilidade mesmo trabalhando

Uma funcionária da Secretaria Municipal de Assistência Social de Sete Lagoas (MG) denuncia estar enfrentando uma situação que beira o absurdo: desde que assumiu o cargo, vem tendo problemas recorrentes para receber seu salário. Enquanto atende famílias em situação de vulnerabilidade no município, a própria profissional afirma estar passando por dificuldades financeiras graves por falta de pagamento regular.

Segundo relato, não se trata de um atraso pontual. A servidora afirma que já chegou a ficar cerca de 50 dias sem receber. Em uma das situações, a justificativa apresentada teria sido erro no envio de dados bancários para a Caixa Econômica. 

O banco alegou que o problema partiu da Prefeitura; já o setor administrativo municipal teria informado que o pagamento havia sido realizado. No meio do impasse, o salário simplesmente não caiu na conta.

O problema voltou a se repetir no mês seguinte.

Enquanto isso, a profissional afirma que precisa custear do próprio bolso quatro passagens diárias para trabalhar. São mais de R$ 500 mensais apenas para conseguir exercer a função pública. Sem o salário depositado, as contas atrasaram, a internet foi cortada e, em um dos episódios mais críticos, a filha da servidora passou mal no mesmo dia em que ela descobriu que novamente não havia pagamento disponível — obrigando-a a pedir dinheiro emprestado.

“Eu trabalho para receber salário, não para fazer trabalho voluntário”, desabafa.

Profissional ou usuária?

O caso escancara uma contradição alarmante: a trabalhadora responsável por atender pessoas em situação de vulnerabilidade social relata estar vivendo ela mesma uma condição de insegurança financeira.

Na prática, a linha que separa profissional e usuário da política de assistência social se torna cada vez mais tênue quando o próprio poder público falha em garantir o básico — o pagamento pelo trabalho prestado.

A situação levanta questionamentos graves:

Onde está o salário que deveria ter sido pago?

Como um município permite que um servidor trabalhe sem garantia de remuneração?

Quem arca com os juros das contas atrasadas?

Quem responde pelo dano moral e financeiro?

Além dos atrasos, a servidora afirma ter recebido contrato com carga horária divergente do edital para o qual foi aprovada, constando jornada superior à prevista inicialmente.

Ministério Público pode ser acionado

Diante da repetição dos fatos, a profissional estuda acionar o Ministério Público para garantir algo que deveria ser elementar: a certeza de que, ao final do mês trabalhado, o salário será pago.

A Constituição Federal assegura a irredutibilidade salarial e o direito à remuneração pelo trabalho prestado. A retenção indevida de salário pode configurar ilegalidade administrativa e até improbidade, caso haja negligência reiterada.

Clima de medo e silêncio

Segundo o relato, outros servidores evitam se manifestar por receio de retaliações. O ambiente é descrito como desorganizado e marcado por insegurança funcional.

Enquanto isso, a pergunta que fica é direta:

Como exigir eficiência no atendimento à população vulnerável quando o próprio servidor está sendo lançado à vulnerabilidade?

A reportagem aguarda posicionamento oficial da Prefeitura de Sete Lagoas e da Secretaria Municipal de Assistência Social sobre os atrasos relatados e as medidas adotadas para garantir a regularidade dos pagamentos.

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