Sete Lagoas: "Projeto da Mega da Virada" que amplia empréstimos em R$ 250 milhões aguarda audiência
SETE LAGOAS – Sob o pretexto de realizar "ajustes técnicos", a Prefeitura de Sete Lagoas tenta avançar com dois Projetos de Lei que, na prática, representam um aumento massivo no endividamento do município. Apelidados nos bastidores de "Projeto da Mega da Virada" devido às cifras astronômicas, os PLs 856/2025 e 857/2025 buscam autorização para elevar o teto de empréstimos bancários em R$ 250 milhões adicionais.
A Câmara Municipal emitiu nota tentando retificar informações anteriores, alegando que não se trata de um "novo pacote" de R$ 480 milhões, mas sim de uma atualização de leis de 2021 e 2024. Contudo, a conta para o cidadão permanece alta: o governo quer gastar muito além do que havia sido planejado originalmente.
O Salto no Endividamento
A manobra do Executivo divide-se em duas frentes que praticamente dobram a dívida autorizada anteriormente:
Caixa Econômica: O teto salta de R$ 200 milhões para R$ 350 milhões (Aumento de R$ 150 milhões).
Banco do Brasil: A autorização anterior de R$ 30 milhões agora mira R$ 130 milhões (Aumento de R$ 100 milhões).
Somadas, as atualizações dão ao atual Prefeito um fôlego financeiro de R$ 480 milhões no total, sendo R$ 250 milhões de dinheiro "novo" via crédito.
Freio do Observatório Social
A tentativa de aprovação rápida foi contida por um pedido de Audiência Pública protocolado pelo Observatório Social de Sete Lagoas. A entidade exige que a gestão municipal explique a viabilidade de pagamento dessa "fatura" e quais obras ou serviços justificam um incremento tão súbito na dívida pública.
Os projetos já passaram pela Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) no dia 25 de fevereiro, mas o debate com a sociedade civil é agora o único obstáculo antes que a matéria siga para votação soberana no Plenário.
Transparência sob Suspeita
A tentativa da Câmara de "esclarecer" que são apenas ajustes em leis antigas soa, para muitos críticos, como uma estratégia para suavizar o impacto do aumento real de 108% no valor dos empréstimos somados. A preocupação central é que esse "prêmio" momentâneo de caixa se transforme em uma herança pesada para as próximas gestões e para o contribuinte setelagoano.
A Voz da População: Indignação nas Ruas e Redes Sociais
O anúncio de que a cidade pode contrair quase meio bilhão de reais em dívidas não foi bem recebido. Moradores de diversos bairros e setores da sociedade civil manifestaram repúdio à proposta, questionando a prioridade dos gastos.
"É um absurdo falarem em 'ajuste técnico' para R$ 250 milhões de dinheiro novo. Isso é endividar nossos filhos e netos. Enquanto buscam essa 'Mega da Virada' nos bancos, a saúde nos postinhos continua precisando de socorro imediato." — Ricardo Menezes, comerciante no Centro.
"A prefeitura quer fazer cortesia com o chapéu do povo. Esse valor é astronômico para uma cidade do tamanho de Sete Lagoas. Onde esse dinheiro vai ser aplicado de verdade? A transparência passou longe desse projeto." — Luciana Soares, professora da rede municipal.
"Parece que acharam o bilhete premiado, mas quem vai pagar o prêmio somos nós. A Câmara não pode aprovar um cheque em branco desses sem que a gente saiba cada centavo do juro que vai ser pago." — Marcos Paulo, motorista de aplicativo.
Freio do Observatório Social
A pressão popular surtiu efeito inicial: a tramitação está travada por um pedido de Audiência Pública protocolado pelo Observatório Social de Sete Lagoas. A entidade exige que a gestão municipal explique a viabilidade de pagamento dessa fatura antes que os vereadores votem o projeto no Plenário.