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Julho das Pretas fortalece o diálogo, a representatividade e a ocupação dos espaços públicos em Sete Lagoas
Por Administrador
Publicado em 11/07/2026 15:00
Vozes Em Movimento: Notícias das Periferias

Julho das Pretas fortalece o diálogo, a representatividade e a ocupação dos espaços públicos em Sete Lagoas

Sete Lagoas viveu dois importantes momentos de reflexão, fortalecimento e valorização das mulheres negras durante a programação do Julho das Pretas, realizada nos dias 3 e 10 de julho, por iniciativa do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), em parceria com diversas secretarias municipais.

Mais do que celebrar uma data, a programação reafirmou o compromisso com a promoção da igualdade racial, a valorização da história das mulheres negras e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à equidade.

O primeiro encontro, realizado em 3 de julho, reuniu lideranças da sociedade civil em uma roda de conversa marcada por importantes reflexões. O evento contou com a participação de Nana Andrade, Isabel Alves e Cíntia Makota, que compartilharam conhecimentos, experiências e perspectivas sobre a luta das mulheres negras, promovendo um diálogo rico, acolhedor e inspirador entre os participantes.

Já no dia 10 de julho, a programação foi voltada ao público atendido pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) de Sete Lagoas. Com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social, os participantes foram levados até a Casa da Cultura, garantindo que pessoas dos territórios periféricos também pudessem ocupar um dos mais importantes espaços culturais do município.

A iniciativa reforça um princípio defendido pelo COMPIR: democratizar o acesso aos espaços públicos e culturais. Assim como ocorreu em 2025, quando o Julho das Pretas foi realizado na Câmara Municipal — a Casa do Povo —, o objetivo é assegurar que a população da periferia também participe, ocupe e se reconheça nesses espaços de cidadania.

Durante a programação, a conselheira Nany apresentou a origem e o significado do Julho das Pretas, destacando sua importância como marco de resistência, memória e protagonismo das mulheres negras na América Latina e no Caribe.

Na sequência, a conselheira Chay conduziu uma reflexão sobre a saúde mental da mulher negra, abordando os impactos do racismo, do sexismo e das desigualdades sociais sobre o bem-estar físico e emocional, além da importância do cuidado e do fortalecimento das redes de apoio.

A conselheira Taty Kelly emocionou o público ao compartilhar sua trajetória de vida como mulher negra e periférica, relatando desafios, superações e conquistas. Seu testemunho reforçou a importância da representatividade e mostrou que, apesar das barreiras impostas pelas desigualdades sociais e raciais, é possível construir novos caminhos por meio da perseverança, da educação e da participação social.

Encerrando as atividades, a presidente do COMPIR, Rute Alves de Lima, realizou a dinâmica "Os Nós Invisíveis", convidando os participantes a refletirem sobre os preconceitos, as barreiras e as desigualdades que muitas vezes limitam sonhos, oportunidades e o pleno exercício da cidadania. A dinâmica sensibilizou o público e provocou uma profunda reflexão sobre a necessidade de reconhecer esses "nós" para que possam ser desfeitos coletivamente.

Um dos momentos mais marcantes da roda de conversa foi a participação espontânea do público. Diversos participantes compartilharam relatos de vida, experiências de discriminação, superação e resistência. Esses depoimentos deram ainda mais significado ao encontro, transformando a atividade em um verdadeiro espaço de escuta, acolhimento, pertencimento e fortalecimento coletivo.

O evento também contou com a presença de trabalhadoras e trabalhadores de diversas secretarias municipais, que participaram ativamente das discussões, reforçando que a promoção da igualdade racial é uma responsabilidade compartilhada por toda a administração pública e deve estar presente nas diferentes políticas e serviços oferecidos à população.

Por se tratar de uma política pública transversal, o Julho das Pretas contou com a participação integrada das Secretarias Municipais de Cultura, Educação, Assistência Social e da Secretaria da Mulher, demonstrando, na prática, a importância da articulação intersetorial para o enfrentamento ao racismo e à promoção da equidade.

A expressiva participação do público nos dois encontros, que reuniu mais de 100 pessoas nas atividades do dia 03 e 10, os depoimentos emocionantes e o envolvimento das instituições confirmaram o sucesso da iniciativa. Mais do que realizar eventos, o COMPIR reafirma seu compromisso de fortalecer políticas públicas permanentes, defendendo que o Julho das Pretas e o Novembro Negro integrem oficialmente o calendário institucional do município e das secretarias envolvidas, consolidando ações contínuas de enfrentamento ao racismo e de valorização da população negra.

O Julho das Pretas em Sete Lagoas demonstrou que, quando poder público, conselhos, servidores e sociedade civil caminham juntos, é possível construir espaços de diálogo, representatividade, ocupação dos equipamentos públicos e transformação social, reafirmando que a promoção da igualdade racial é um compromisso de toda a sociedade.

By Rute Alves de Lima –  Presidente COMPIR SL 

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