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Crise na Saúde em Sete Lagoas: Má Gestão e Precarização sufocam Atenção Primária
Por Administrador
Publicado em 28/02/2026 13:02
Vozes Em Movimento: Notícias das Periferias

Crise na Saúde em Sete Lagoas: Má Gestão e Precarização sufocam Atenção Primária

Atrasos no fornecimento de insumos vitais, redução arbitrária de dietas e vínculos trabalhistas frágeis revelam um cenário de desmonte que atinge os cidadãos mais vulneráveis do município.

A Atenção Primária à Saúde (APS) de Sete Lagoas, que deveria funcionar como o pilar de prevenção e cuidado do Sistema Único de Saúde (SUS), atravessa um período de profunda instabilidade. Relatos apontam que a gestão municipal tem falhado sistematicamente em garantir o básico: fraldas e dietas especiais para pacientes acamados, idosos e crianças com necessidades clínicas específicas.

Veja o desabafo de um pai abaixo:

https://www.instagram.com/reel/DVTbcIzjUhv/?igsh=dnZqN3ZqMmNuMHk1

Abaixo, detalhamos os erros críticos que configuram a atual crise de desproteção no município:

1. Violação da Segurança Alimentar e Clínica

O erro mais visível e imediato é a interrupção e o atraso no fornecimento de dietas enterais e suplementação. Ao reduzir quantitativos sem uma justificativa técnica individualizada, a administração municipal ignora planos alimentares prescritos por nutricionistas e médicos.

Consequência: Essa "economia" de curto prazo gera um efeito cascata de desnutrição e agravamento de quadros clínicos, o que fatalmente resultará em internações hospitalares — que custam muito mais caro aos cofres públicos do que a manutenção preventiva dos insumos.

2. Descumprimento de Preceitos Constitucionais

A gestão parece ignorar a Lei nº 8.080/1990 e a própria Constituição Federal. A saúde não é uma benesse da prefeitura, mas um dever do Estado. Ao dificultar o acesso a insumos de continuidade (como fraldas e materiais de higiene), o município fere o princípio da integralidade do cuidado, deixando famílias em situação de vulnerabilidade social sem o suporte logístico prometido pela política pública.

3. Precarização do Trabalho como Estratégia de Silenciamento

Um erro estrutural grave é a manutenção de vínculos trabalhistas frágeis e contratos temporários para profissionais da saúde.

A "Lei da Mordaça" invisível: Profissionais sob constante ameaça de não renovação contratual perdem a autonomia técnica para denunciar faltas de insumos ou formalizar relatórios críticos.

A insegurança laboral desestimula o enfrentamento institucional necessário para levar as falhas ao Conselho Municipal de Saúde ou ao Ministério Público, transformando o corpo técnico em refém de decisões políticas de contingenciamento.

4. Gestão por Omissão e Falta de Transparência

A administração municipal falha ao não apresentar clareza sobre os critérios de concessão e os motivos reais dos atrasos. Quando o planejamento orçamentário é falho, a corda rompe no lado do usuário. A ausência de um fluxo transparente de avaliação e a falta de diálogo com os espaços de controle social indicam uma gestão que opera pela lógica da restrição silenciosa, esperando que as famílias assumam custos que são de responsabilidade pública.

5. Transferência de Responsabilidade para as Famílias

Ao reduzir as quantidades entregues, a prefeitura obriga famílias de baixa renda a complementar o tratamento com recursos próprios. Em um cenário de crise econômica, isso significa escolher entre a alimentação da família ou a fralda do idoso acamado, caracterizando uma violação da dignidade da pessoa humana.

O Veredito da Gestão

O que se vê em Sete Lagoas não é apenas uma crise financeira, mas uma escolha política. A precarização da força de trabalho somada à negligência logística desidrata a Atenção Primária e empurra o SUS local para um modelo de "caridade" assistencialista, em vez de um sistema de direitos garantidos.

A solução exige mais do que apenas repor estoques; requer a efetivação de concursos públicos para garantir autonomia técnica aos profissionais e um cronograma rígido e transparente de logística que respeite a prescrição clínica acima do teto orçamentário.

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