CÂMARA DE CACHOEIRA DA PRATA CASSA MANDATO DE LUCIANA CARVALHO E DECISÃO PROVOCA REVOLTA DE MORADORES NAS REDES SOCIAIS
Depois de quase nove horas de debates, manifestações e votação, a Câmara Municipal de Cachoeira da Prata decidiu, na noite desta sexta-feira (3), cassar o mandato da vereadora Luciana Aparecida de Carvalho (MDB). A sessão extraordinária teve início às 13h e foi encerrada por volta das 22h.
Advogada, servidora pública concursada e detentora de quatro mandatos, Luciana Carvalho construiu uma das trajetórias mais longevas da política de Cachoeira da Prata, tornando-se uma das principais lideranças do Legislativo municipal. Ela era a única vereadora que fazia oposição à atual administração da Prefeitura.
Para que o mandato fosse cassado, eram necessários seis votos favoráveis, o equivalente a dois terços dos nove vereadores da Casa. Antes da manifestação do presidente da Câmara, Pedro Henrique dos Reis Moreira, o Pepeu (Podemos), o placar era de cinco votos pela cassação e dois contrários.
Como ainda faltava um voto para atingir a maioria qualificada exigida pela legislação, coube ao presidente proferir seu voto. Ao votar pela procedência das duas denúncias apresentadas pela Comissão Processante, Pepeu garantiu o sexto voto favorável, consolidando o placar de 6 a 2 e decretando a perda do mandato da parlamentar.
Como votaram os vereadores
Votaram pela cassação:
- Leonardo Vieira Barroso (PL);
- Milton Eustáquio Magalhães (PP);
- Pedro Henrique dos Reis Moreira, o Pepeu (Podemos);
- Sidnei de Oliveira Barbosa (PSD);
- Thiago de Castro Oliveira (Podemos);
- Vitor Leonardo Freitas Barbosa (PL).
Votaram contra a cassação:
- Bruno Teixeira Costa (Republicanos);
- Maryane Diniz Melo Almeida (PSD).
As acusações
O processo teve como base duas acusações apontadas pela Comissão Processante.
A primeira sustenta que Luciana Carvalho teria deixado de manter domicílio em Cachoeira da Prata. Segundo o relatório, o endereço informado no município seria utilizado como escritório de advocacia e residência da mãe da parlamentar. O documento, no entanto, não aponta onde a vereadora residiria atualmente.
A segunda denúncia refere-se ao exercício da função de assessora jurídica da Câmara Municipal de Fortuna de Minas. Na avaliação da Comissão Processante, a atividade seria incompatível com o exercício simultâneo do mandato de vereadora e poderia configurar acúmulo irregular de funções.
Após a fase de instrução, a comissão concluiu pela procedência das acusações e recomendou a cassação do mandato, entendimento acolhido pela maioria dos vereadores.
Defesa anuncia recurso
A defesa de Luciana Carvalho contesta integralmente as conclusões do relatório, alegando ausência de provas e perseguição política.
Segundo o advogado da parlamentar, Luciana mantém residência habitual em Cachoeira da Prata e sua atuação profissional ocorreu em conformidade com a legislação, por meio de processo licitatório e sem qualquer impedimento para o exercício do mandato.
Logo após o encerramento da sessão, a defesa informou que recorrerá ao Poder Judiciário na tentativa de reverter a decisão da Câmara.
Repercussão
A cassação provocou imediata repercussão em Cachoeira da Prata.
Nas redes sociais e em grupos de mensagens utilizados por moradores, a votação dominou as discussões ainda durante a noite de sexta-feira.
Grande parte das manifestações criticou a condução do processo e a decisão da maioria dos vereadores. Parlamentares que votaram pela cassação receberam duras críticas de moradores, enquanto apoiadores de Luciana classificaram a decisão como desproporcional e defenderam que o caso seja revisto pelo Poder Judiciário.
Os próximos capítulos da disputa agora serão definidos pela Justiça, que deverá analisar a legalidade do processo político-administrativo e da decisão tomada pela Câmara Municipal.











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Fonte: Câmara Municipal de Cachoeira da Prata, defesa da parlamentar e manifestações públicas nas redes sociais.